Informação sobre hipotireoidismo, causas, sintomas, prevenção e tratamento do hipotireoidismo, identificando os diversos tipos existentes.


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Diagnóstico de hipotireoidismo congênito

Muito cedo, no desenvolvimento de um feto, a glândula tireoide move-se da parte posterior da língua para a sua posição normal no pescoço. Nalguns bebés, este processo não ocorre e a glândula não se desenvolve de todo. Noutros caos, a glândula fica maior no pescoço do que o normal e não funciona bem. Estas são as situações mais comuns encontradas numa criança com hipotireoidismo congénito. Normalmente, o risco de uma pessoa poder ter outro filho com hipotireoidismo congênito é muito baixo. Contudo, existe um tipo mais raro de situações em que a glândula está na posição correcta, mas não produz tiroxina de modo natural. Este tipo de situação pode ser herdada e existe o risco de que os irmãos do bebé também venham a ser afetados.

O hipotireoidismo congênito pode apresentar-se com hipotonia muscular, dificuldade respiratória, cianose, icterícia prolongada, constipação, hipotermia, bradicardia, anemia, sonolência excessiva, livedo reticularis, choro rouco, hérnia umbilical, alargamento de fontanelas, mixedema, sopro cardíaco, macroglossia, dificuldade na alimentação, deficiente crescimento pôndero-estatural, atraso na dentição, retardo na maturação óssea, pele seca e sem elasticidade, atraso de desenvolvimento neuropsicomotor e retardo mental.
No entanto, as manifestações clínicas do hipotireoidismo congênito são na sua maioria tardias, devendo o diagnóstico precoce ser realizado através de triagem neonatal.

Como diagnosticar o hipotireoidismo congênito

O momento ideal para o diagnóstico do hipotireoidismo congênito é o período neonatal, pois a partir de quatro semanas de vida, a deficiência de hormônios tireoideos já pode causar lesão neurológica.
Portanto, é fundamental que os recém-nascidos sejam submetidos à triagem neonatal.
As manifestações citadas devem ter um diagnóstico pesquisado laboratorialmente.
Triagem neonatal é realizada, conforme Portaria GM/MS n° 822, de 06 de junho de 2001, por meio de:
  • Medida do hormônio estimulante da tireóide (TSH) em amostras de sangue colhidas em papel filtro (teste do pezinho), seguida de medida da tiroxina (T4) em amostra de soro quando o TSH é superior a 20mUI/l em radioimunoensaio ou superior a 15mUI/l em ensaios imunométricos. Os níveis de TSH de crianças não afetadas podem ser mais altos durante as primeiras 24 horas (podendo gerar diagnósticos falso-positivos) devido ao estresse do parto, mas, geralmente, normalizam por volta dos 2 a 3 dias.
  • Alternativamente, pode ser realizada medida de T4 em amostra de papel filtro (que deverá apresentar valor superior a 6 Ug/dl), seguida de medida de TSH quando o T4 é inferior ao percentil 10.


O que é o teste do pezinho

O teste do pezinho é um teste realizado no recém-nascido, que é capaz de diagnosticar não apenas o hipotireoidismo congênito, mas uma série de outras doenças, entre elas fenilcetonúria, anemia falciforme, fibrose cística, entre outras.
O teste do pezinho é regulado pelo Programa Nacional de Triagem Neonatal e pela Sociedade Brasileira de Triagem Neonatal. Este, é um teste simples, realizado com apenas uma gota de sangue obtida em papel-filtro. Algumas das importantes regulamentações deste programa são:
  • TODO RECÉM-NASCIDO TEM DIREITO AO ACESSO À REALIZAÇÃO DE TESTES DE TRIAGEM NEONATAL. Estes testes deverão ser realizados entre o 3º e 5º dias de vida.
  • TODO RECÉM-NASCIDO SUSPEITO DE SER PORTADOR DE UMA DAS PATOLOGIAS TRIADAS DEVERÁ SER RECONVOCADO PARA A REALIZAÇÃO DE EXAMES CONFIRMATÓRIOS.
  • TODO RECÉM-NASCIDO VIVO IDENTIFICADO/CONFIRMADO COMO PORTADOR DE UMA DAS PATOLOGIAS TRIADAS TEM DIREITO AO ACOMPANHAMENTO, ORIENTAÇÃO E TRATAMENTO ADEQUADO.
SE NÃO TRATADO ADEQUADA E PRECOCEMENTE, O HIPOTIREOIDISMO CONGÊNITO PODE LEVAR A IMPORTANTE E IRREVERSÍVEL RETARDO MENTAL

Sintomas do hipotireoidismo congênito

Mais de metade dos bebés nascidos com hipotireoidismo congénito apresentam um olhar completamente normal e não têm nenhum sintoma da doença. É por isso que se torna tão importante garantir que todas as crianças são testadas no nascimento. O hipotireoidismo congénito pode muitas vezes ser diagnosticado antes que o bebé mostre quaisquer sinais claros da doença.

Bebés com hipotireoidismo

Alguns bebés com hipotireoidismo tornam-se sonolentos e difíceis de alimentar, mas um exame de sangue é necessário para ter certeza do diagnóstico. Muitos bebés têm estes sintomas sem que tenham hipotireoidismo! Outros sintomas podem incluir constipação, baixo tônus muscular (moleza), extremidades frias e crescimento deficiente. Alguns bebés com hipotireoidismo têm uma prolongada icterícia após o nascimento. Embora algumas crianças com hipotireoidismo congénito tenham problemas de desenvolvimento, a probabilidade de efeitos duradouros é baixa. Se o seu filho for diagnosticado com hipotireoidismo congénito, o médico irá examiná-los com muito cuidado para verificar se existem outros problemas.


Hipotireoidismo congênito

O hipotireoidismo congênito é uma das maiores causas preveníveis de retardo mental. Na maioria dos casos, o distúrbio é permanente e resulta de digenesia, agenesia ou disormoniogênese. Menos comumente, a disfunção neonatal pode ser transitória, atribuída à passagem transplacentária de medicações, anticorpos bloqueadores ou à deficiência ou excesso de iodo. Raramente pode resultar de anormalidade hipotalâmica.
Hipotireoidismo congênito ocorre quando a glândula tireoide do recém-nascido (RN) não é capaz de produzir quantidades adequadas de hormônios tireoidianos, o T3 e o T4, resultando numa redução generalizada (lentificação) dos processos metabólicos.


O hipotireoidismo congénito é a produção insuficiente de hormónio da tireóide em recém-nascidos. Isso pode ocorrer por causa de um defeito anatómico na glândula, um erro inato do metabolismo da tireóide, ou deficiência de iodo.

Sinais e sintomas de hipotireoidismo congénito

Recém-nascidos com hipotireoidismo congénito geralmente nascem a termo ou após a prazo. Os sintomas e sinais incluem:
- Diminuição da atividade;
- Grande fontanela anterior;
- Má alimentação e ganho de peso;
- Pequena estatura ou fraco crescimento;
- Icterícia;
- Hipotonia;
- Grito rouco
Muitas vezes, os bebés afetados são descritos como "bons bebés", porque eles raramente choram e dormem a maior parte do tempo.
Os resultados físicos de hipotiroidismo podem ou não pode estar presentes no nascimento. Os sinais incluem:
- Características faciais grosseiras;
- Macroglossia;
- Grandes fontanelas;
- Hérnia umbilical;
- Pele seca;
- Atraso no desenvolvimento;
- Palidez;
- Mixedema;
- Bócio.

Anemia pode ocorrer, devido à diminuição do transporte de oxigénio. Um número pequeno mas significativo (3 a 7%) de crianças com hipotireoidismo congénito tem outros defeitos congénitos.


Tireóide

A tireóide é uma das maiores glândulas endócrinas, tendo como função sintetizar os hormônios tireoidianos essenciais para o desenvolvimento e crescimento dos diversos órgãos e sistemas em humanos.
O principal hormônio produzido pela tireóide é a tiroxina (T4). No entanto, o hormônio metabolicamente ativo é a triiodotironina (T3), que é produzido, principalmente, através da desiodação do T4 em tecidos periféricos. Apenas 20% da produção de T3 é proveniente da tireóide. A função tireoideana é controlada basicamente por três mecanismos:
  1. Eixo hipotálamo – hipófise – tireóide: estímulo hipotalâmico através do Hormônio Liberador da Tireotrofina (TRH) que atua na síntese e liberação do Hormônio Estimulador da Tireóide (TSH) pela hipófise anterior, o qual, por sua vez, promove a síntese e secreção de hormônios tireoideanos;
  2. Efeito de retro-alimentação dos hormônios tireoidianos sobre hipófise e hipotálamo;
  3. Autoregulação da síntese hormonal pela glândula tireóide, de acordo com a disponibilidade de iodo inorgânico.

Anatomia da tireóide


Derivado da palavra grega que significa escudo, a tireóide é uma glândula em forma de borboleta localizada na frente da traqueia e abaixo da laringe ou maçã de Adão no pescoço. É composta por duas metades, conhecidas como lóbulos, que estão ligados por uma banda de tecido da tireóide denominaa istmo.
Durante o desenvolvimento, a tireóide é realmente localizada na parte de trás da língua e migra para a frente do gargalo, antes do nascimento. Há casos raros, em que a tireóide migra para muito longe ou ficam muito perto. Existem mesmo casos em que a tireóide permanece na parte posterior da língua, sendo esta condição conhecida como tireóide lingual.

Hormônios da tireóide

Os dois principais hormônios da tireóide produzem e liberam T3 (tri-iodotironina) e T4 (tiroxina). 
Em menor extensão, a tireóide, também produz calcitonina, o que ajuda no controlo dos níveis de cálcio no sangue.


Como é feito o tratamento do hipotireoidismo

Assim que o hipotireoidismo é diagnosticado, o médico irá prescrever reposição hormonal com T4. Você irá receber levotiroxina, uma tiroxina sintética que atua exatamente como o hormônio produzido pela sua tireoide. Se o seu hipotireoidismo foi causado por falta de iodo na alimentação, você irá receber suplementos de iodo; se a causa for um distúrbio auto-imune, sua tireoide ainda produz algum T4, mas não o suficiente. Nesse caso será prescrita levotiroxina na dose que venha a completar a quantidade de T4 que sua tireoide já não consegue produzir. Se o hipotireoidismo desenvolveu-se devido à remoção da glândula, ou por sua destruição por radiação de iodo radioativo, todo o T4 será substituído por levotiroxina. Como a levotiroxina é um hormônio de ação lenta – tanto quanto seu T4 natural – levará algumas semanas até você sentir-se sem sintomas. Após 6 a 10 semanas, seu organismo estará plenamente adaptado à reposição de T4. Em seguida, seu médico fará um check-up para saber se você está recebendo a quantidade certa de T4 e também sentindo-se melhor. Depois do check-up anual, você terá certeza de que está tendo um ótimo tratamento.
Consciencialize-se, Hipotireoidismo não tem cura. Precisa ser tratado a vida toda!



Hipotireoidismo e o coração

Em casos de hipotireoidismo, quando a sua tireoide é pouco ativa, esta não produz quantidades suficientes de hormônios. Sem T4 e T3 suficientes, o metabolismo desacelera. Por exemplo, o seu coração bate mais lentamente, a circulação sanguínea fica prejudicada, e as atividades cerebrais e intestinais decaem, pelo que os estoques de energia esgotam mais rapidamente. Além dos efeitos que você consegue perceber, uma tireoide pouco ativa causa outros problemas que ficam escondidos, o nível de colesterol no sangue eleva-se e desenvolve-se dentro da parede das artérias, as chamadas placas de aterosclerose. Todos estes efeitos aumentam o risco de ataque cardíaco e insuficiência cardíaca. Segundo a American Thyroid Association, uma tireoide pouco ativa não causa apenas sintomas, ela pode piorar outras condições.
Sua tireoide pode tornar-se menos ativa em poucos meses ou em alguns anos. Os sintomas do hipotireoidismo variam, com algumas pessoas a sentir alguns sintomas e outras sentindo-se muito mal. A variedade de sintomas associados com o hipotireoidismo pode explicar porque essa forma de distúrbio é muitas vezes ignorada ou mal interpretada como sendo estresse, ‘coisas da idade’ ou, ainda pior, como sendo fruto da imaginação. Às vezes, pode levar anos até que o hipotireoidismo seja, finalmente, diagnosticado.



Como se trata o hipotireoidismo

O hipotiroidismo não pode ser curado, mas em quase todos os pacientes, o hipotireoidismo pode ser completamente controlado. O controle do hipotireoidismo faz-se, substituindo a quantidade de hormônio que a sua própria tiróide não consegue produzir, para trazer a sua tiroxina (T4) e TSH de volta aos níveis normais. Assim, mesmo que a sua glândula tireóide não possa trabalhar de modo correto, a substituição de tiroxina (T4) pode restaurar os níveis de hormônio da tireóide do seu corpo e da função do seu corpo. Comprimidos de tiroxina sintéticos contêm hormônio, exatamente como a tiroxina (T4) que a própria glândula tireóide produz. Todos os pacientes com hipotireoidismo, exceto aqueles que têm mixedema grave (hipotireoidismo com risco de vida) podem ser tratados em ambulatório, não tendo que ser internados no hospital. 

Os efeitos colaterais e complicações
Os únicos perigos de tiroxina são causados por tomar muito pouco tempo ou tomar durante demasiado tempo. Se você tomar muito pouco tempo, o hipotireoidismo vai continuar. Se você demorar muito, você vai desenvolver os sintomas do hipertireoidismo, uma hiperatividade da glândula tireóide. Os sintomas mais comuns do excesso de hormônio tireoidiano são fadiga, incapacidade de dormir, maior apetite, nervosismo, tremores, sensação de calor quando outras pessoas sentem frio, e, ao exercitar os músculos fracos, sente falta de ar, e quando faz uma corrida, o coração parece pular.
Os pacientes que apresentam sintomas de hipertireoidismo, em qualquer momento (durante a terapia de reposição de tiroxina) devem ter seu TSH testado. Se for baixo, indicando hormona da tireóide em demasia, a dose deve ser reduzida.

Como se diagnostica o hipotireoidismo

O diagnóstico correto do hipotireoidismo depende de vários fatores, nomeadamente:
• Os sintomas. Hipotireoidismo não possui sintomas caraterísticos. Não existem sintomas que as pessoas com hipotireoidismo tenham sempre, e muitos sintomas de hipotireoidismo podem ocorrer em pessoas com outras doenças. Uma forma de ajudar a descobrir os seus sintomas associados ao hipotireoidismo é pensar se você sempre teve determinado sintoma ou se o sintoma é uma mudança decorrente de alguma circunstancia identificável.
• História familiar ou de algum problema de saúde.
• Mudanças na sua saúde que sugiram que o seu corpo está a abrandar.
• Se você já teve uma cirurgia da tireóide.
• Se você já esteve sujeito a radiação para o pescoço, para tratar o câncer.
• Se você está a tomar algum dos medicamentos que possa causar hipotireoidismo, como amiodarona, lítio, interferon alfa, interleucina-2, e, talvez, a talidomida.
• Se algum dos membros de sua família têm distúrbios da tireóide.
• O exame físico. O médico irá verificar a sua glândula tireóide e olhar para as mudanças, como pele seca, inchaço, reflexos mais lentos, e uma frequência cardíaca mais lenta.
• Exames de sangue. Existem dois testes de sangue que são usados no diagnóstico de hipotiroidismo.
• Teste de TSH (hormônio estimulante da tireóide). Este é o teste mais importante e sensível para o hipotireoidismo. Ele mede a quantidade do hormônio tiroxina da tiróide (T4) para a qual a glândula tireóide está sendo solicitada a produzir. Um anormalmente alto TSH significa hipotireoidismo, já que a glândula tireóide está sendo solicitada para produzir mais T4 porque não há T4 suficiente no sangue.
• Testes de T4. A maior parte de T4 no sangue está ligado a uma proteína chamada globulina de ligação a tiroxina. O T4 "ligado" não pode entrar nas células do corpo. Apenas cerca de 1% a 2% de T4 no sangue é “livre” e pode entrar nas células. O T4 livre e o índice de T4 livre são os dois exames de sangue simples que medem a quantidade de T4 livre que está no sangue e disponível para entrar nas células.

O que causa o hipotireoidismo

Podem existir muitas razões pelas quais as células da glândula tireóide não podem produzir hormônio suficiente da tireóide. Aqui estão as principais causas, desde a mais comum até à menos comum:
• Doença auto-imune. Nos corpos de algumas pessoas, o sistema imunológico, que protege o corpo de infeções pode ficar confundido e invadir as células da glândula tireóide e suas enzimas para as atacar. Então, deixa de haver número suficiente de células da tireóide e enzimas, deixando de produzir hormônio da tireóide suficiente. Isto é mais comum em mulheres do que em homens. Tireoidite auto-imune pode começar repentinamente ou pode desenvolver-se lentamente ao longo dos anos. As formas mais comuns são a tireoidite de Hashimoto e tireoidite atrófica.
• A remoção cirúrgica de parte ou da totalidade da glândula tireóide. Algumas pessoas com nódulos da tireóide, câncer da tireóide, ou doença de Graves precisam de ter uma parte ou a totalidade de sua tireóide removida. Se toda a tireóide for removida, as pessoas vão ficar definitivamente com hipotireoidismo. Se parte da glândula for deixada, pode ser capaz de produzir hormona da tireóide suficiente para manter os níveis sanguíneos normais.
• O tratamento de radiação. Algumas pessoas com doença de Graves, bócio nodular ou câncer de tireóide são tratadas com iodo radioativo, com a finalidade de destruir a sua glândula tireóide. Os doentes com doença de Hodgkin, linfoma, ou cancros da cabeça e pescoço são tratadas com radiação. Todos estes pacientes podem perder parte ou a totalidade de sua função tireoidiana.
• O hipotireoidismo congênito (hipotireoidismo em bebê no nascimento). Alguns bebês nascem sem tireóide ou com apenas uma parte formada. Alguns têm parte ou a totalidade de sua tireóide no lugar errado (tireóide ectópica). Em alguns bebês, as células da tireóide ou suas enzimas não funcionam de modo correto.
• Tireoidite. Tireoidite é uma inflamação da glândula tireóide, geralmente causada por um ataque auto-imune ou por uma infeção viral. Tireoidite pode fazer com que exista despejo de toda o hormônio da tireóide armazenado no sangue, de uma só vez, fazendo breve hipertireoidismo; sendo que em seguida, a tireóide se torne hipoativa.
• Medicamentos. Os medicamentos tais como a amiodarona, o lítio e alfa interleucina-2 podem impedir a glândula tireóide de ser capaz de produzir hormona normalmente. Estas drogas são mais susceptíveis de provocar hipotireoidismo em pacientes que têm uma tendência genética para doença auto-imune da tireóide. 
• Muito ou pouco iodo. A glândula tireóide precisa de iodo para produzir hormônio da tireóide. Iodo entra no corpo em alimentos e viaja através do sangue para a tireóide. Manter a produção de hormônios da tireóide em equilíbrio requer a quantidade certa de iodo. A presença de muito iodo pode causar ou agravar hipotireoidismo.
• Danos à glândula pituitária. A hipófise, a "glândula mestra", informa a tireóide de quanto hormônio pode produzir. Quando a hipófise é danificada por um tumor, radioterapia ou cirurgia, pode já não ser capaz de dar as instruções à tireóide, e a tireóide pode deixar de produzir hormônio suficiente. 
• Doenças raras que infiltram a tireóide. Em algumas pessoas, as doenças depositam substâncias anormais na tireóide e prejudicam a sua capacidade de funcionamento. Por exemplo, a amiloidose pode depositar proteína amilóide, a sarcoidose pode depositar granulomas, e hemocromatose pode depositar ferro.

Conhecendo o hipotireoidismo

O hipotireoidismo ocorre quando a glândula tireóide não produz hormônio tireoideano suficiente. Tendo muito pouco desse hormônio, ocorrem muitos sintomas. Se você tiver algum destes sintomas, informe o seu médico, já que pode estar com hipotireoidismo:
• Sente-se cansado o tempo todo;
• Tem músculos fracos;
• Está constipado;
• Aumentou de peso;
• Tem períodos menstruais difíceis ou longos.

Você pode ainda ter outros problemas, como:
• Você sente frio a maior parte do tempo;
• Seu cabelo fica grosso, seco, ou cinza numa idade jovem;
• A pele pode ficar grossa e seca, ou o seu rosto ou língua podem engrossar;
• Suas pálpebras podem ficar inchadas;
• Sua voz pode parecer profunda ou rouca.

Ainda outros problemas podem ocorrer:
• Freqüência cardíaca mais lenta;
• Depressão;
• Perda de apetite sexual;
• Perda de audição;
• Mãos dormentes e formigando.

Quando a doença não é tratada, alguns problemas podem ocorrer, como:
• Não ser capaz de manter uma temperatura corporal normal;
• Inchaço da glândula tireóide (que é chamado de bócio);
• Problemas mentais, como a depressão;
• Dificuldade para respirar;
• Perda de consciência ou até mesmo coma.

O hipotireoidismo ocorre com mais frequência nas seguinte condições:
• Se você tiver uma doença que faz com que ocorra inchaço na sua glândula tireóide;
• Se a sua glândula tireóide ficar exposta a tratamento com radiação.

Muitas vezes não se sabe porque é que a glândula tireóide não produz hormônio tireoideano suficiente. Você terá de efetuar exames de sangue para medir os hormônios da tireóide que o seu corpo produz.

Diagnóstico e Tratamento do hipotireoidismo congênito

O diagnóstico no Brasil para hipotireoidismo congênito é feito por meio de duas estratégias: uma recomendada pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, que utiliza a dosagem primária de TSH no cordão umbilical, em decorrência da alta precoce de nossos RNs, reservando a dosagem de T4 na mesma amostra para exame confirmatório; e a outra recomendada pela Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE), cuja coleta se dá por punção de calcanhar na alta do RN, com dosagem primária de T4 seguida de TSH na mesma amostra como segundo exame. Ainda não existe um consenso quanto à melhor estratégia, porém o Ministério da Saúde, na Portaria GM/MS n° 822, recomenda o método da APAE.
Gauchard afirma que programas de triagem neonatal permitem o tratamento precoce, limitando as consequências do hipotireoidismo congênito na maturação do sistema nervoso central e nos resultados psicomotores e educacionais. O tratamento é baseado na reposição de levotiroxina. O objetivo da terapia inicial no recém-nascido é para minimizar a exposição do sistema nervoso central neonatal para hipotireoidismo normalizando a função tireoidiana, o mais rapidamente possível, como refletido por T4 e TSH .
O prognóstico mental está relacionado à precocidade do início do tratamento nas 3 primeiras semanas de vida. Hirschheimer e Picolli apud Medeiros afirmam que, quando o tratamento é iniciado por volta da sexta semana de vida, a probabilidade de a criança ter um QI normal varia de 55 a 90%.

Epidemiologia do Hipotireoidismo Congênito

O Hipotireoidismo Congênito tem uma incidência ao redor de 1:4000 nascidos vivos. Segundo os dados de literatura, a prevalência é maior no sexo feminino do que no sexo masculino.
No Ceará representa cerca de 1:4500 nascimentos. O intervalo entre o nascimento e a realização do Teste do Pezinho é variável. No Ceará esse tempo é por volta de 10 dias e o intervalo entre o momento da coleta e o início do tratamento é de 60 dias. Em alguns estudos, encontramos predominância no sexo feminino. Alguns índices apontados por estudos brasileiros demonstram a incidência de 1:4375 no Estado de Minas Gerais, 1:3177 em Santa Catarina, 1:4850 em Sergipe. Já nos estudos de Ramalho tem 1 caso em 2005 para 5588 nascidos vivos (incidência de 1:5588), 2 casos em 2006 para 5877 nascidos vivos (incidência de 1:2939) e 2 casos em 2007 para 6029 nascidos vivos, com incidência de 1:3014 nascidos vivos, totalizando uma incidência de 1:3499 no período estudado compatíveis aos dados da literatura.

O que é Hipotireoidismo Congênito

O Hipotireoidismo Congênito é uma doença que constitui a causa mais comum de retardo mental passível de prevenção e tratamento. Cerca de 15% dos casos de Hipotireoidismo Congênito tem padrão de herança recessiva, e a doença ocorre quando a glândula tireóide do recém-nascido não é capaz de produzir quantidades adequadas de hormônios, resultando numa redução generalizada de processos metabólicos. Em crianças não tratadas precocemente, o crescimento e o desenvolvimento mental ficam seriamente comprometidos. O hipotireoidismo é um distúrbio resultante da diminuição da produção e da redução dos níveis circulantes do hormônio tiroideano, o qual é reversível com a reposição do hormônio deficiente. É o resultado da diminuição da secreção glandular, usualmente devido à doença primária da glândula tiróide. Segundo La Franchi, pode ser classificado quanto à época do seu aparecimento, em congênito ou tardio (adquirido), e quanto ao nível em que a disfunção se apresenta, em primário (tireoideano), secundário (hipofisário) e terciário (hipotalâmico).
Ribeiro afirma que o Hipotireoidismo Congênito é um distúrbio metabólico sistêmico, caracterizado pela deficiência da produção de hormônios tireoidianos e representa uma das causas mais comuns de retardo mental passível de prevenção.
O Hipotireoidismo Congênito é considerado uma urgência pediátrica podendo ocorrer conseqüências graves quando não recebe tratamento oportuno. O diagnóstico precoce e o tratamento iniciado nas primeiras semanas de vida é fundamental para o desenvolvimento intelectual normal das crianças afetadas.

Hipotireoidismo ou depressão

Você está deprimido? Ou sofre de hipotireodismo?
Estas são perguntas relevantes, particularmente se você se sentir cansado, triste, desmotivado, sem disposição ou ânimo para as coisas mais comuns, com embotamento do raciocínio, perda da capacidade de concentração, distúrbios de memória e perturbações do ritmo normal do sono, além de alterações importantes de seu comportamento alimentar.
Será depressão ou hipotireoidismo?
O valor dos antidepressivos não pode ser negado, são frutos de intensa e séria pesquisa realizada em diversos centros em torno do mundo e têm contribuído para a melhoria da qualidade de vida de inumeráveis pessoas. Seu uso, no entanto, dever ser criterioso e sua indicação deve ser feita com cuidado e precisão. Isto porque depressão e hipotireoidismo se apresentam com quadros clínicos muito semelhantes, tornando muitas vezes difícil o diagnóstico diferencial entre eles. Este deve ser feito cuidadosamente, antes de se tomar a iniciativa de fazer uso de um psicofármaco.
Depressão ou hipotireoidismo?
Além dos sintomas acima referidos, o hipotireoidismo também se manifesta por outros sinais e sintomas tais como: pele seca, grossa e áspera, unhas quebradiças, cabelos secos, grossos e sem brilho, frequentemente com intensa queda, sensação de "inchaços" pelo corpo, maior sensibilidade ao frio, obstipação intestinal (prisão de ventre) e expressão facial de uma tristeza indefinida, como se o paciente apresentasse um profundo cansaço. São comuns irregularidades menstruais (encurtamento do intervalo entre as menstruações e aumento do volume do fluxo menstrual), tensão pré-menstrual (TPM) assim como redução da libido e certo grau de impotência nos homens. A infertilidade também pode ocorrer pelos distúrbios de ovulação e da produção de espermatozóides. Na depressão, por outro lado, existe a ideação de morte, tristeza profunda; a sensação de que nada mais tem sentido na vida com consequente vontade de morrer; o desejo de cometer suicídio e, muitas vezes, antecedentes variados de tentativas mal sucedidas.
O problema é que não existem testes de laboratório que confirmem objetivamente, sem qualquer sombra de dúvida, a existência de depressão. Alguns testes podem usados (teste de supressão com a dexametasona oral e o teste de estímulo com TRH endovenoso), que servem como subsídios para o diagnóstico, funcionando como marcadores do estado depressivo. Alguns questionários podem ser usados, tais como o Inventário Beck de Depressão (BDI) na tentativa de se identificar o mal e estabelecer seus graus de intensidade através da atribuição de valores (escores) que representam a intensidade do distúrbio. No entanto, seus resultados devem ser interpretados com a devida cautela. No caso do hipotireoidismo, é totalmente diferente. Inúmeros testes podem ser usados para o seu diagnóstico e sua causa. São testes, afinal, incorporados na rotina do dia-a-dia do médico. Alguns deles, mais sofisticados, são usados para se identificar a Disfunção Mínima da Tireóide (Hipotireoidismo Sub-Clínico), fase evolutiva da doença muitas vezes não identificada pelos exames de rotina, tais como dosagem do TSH, T3, T4, T4-livre e outras. Mesmo nessa disfunção, são comuns sintomas que podem sugerir formas leves de depressão.
Por isso é sempre válida a pergunta, depressão ou hipotireoidismo?
Afinal, se você estiver deprimido, além do uso de um antidepressivo, que pode se estender por longo tempo, a psicoterapia também é extremamente útil como recurso para combater este mal que aflige milhões de pessoas e é considerado como a principal causa de suicídio no mundo. No caso do hipotireoidismo, por sua vez, a substituição hormonal à base de tiroxina é indicada como tratamento de escolha, por tempo indefinido, mas com resultados excelentes, consistentes e definitivos.
Consulte um médico!
Somente ele será capaz de avaliar cuidadosamente o seu quadro clínico, solicitar os exames adequados, estabelecer o diagnóstico correto e definir qual será a melhor alternativa de tratamento a ser indicada.

Dieta para hipotireoidismo, alimentação adequada

Listamos as principais recomendações nutricionais no Hipotireoidismo:

Preferir:
  • Alimentos laxativos para corrigir a obstipação frequente: abacaxi, agrião, alface, ameixa seca, berinjela, pimentão vermelho e amarelo, quiabo, cenoura crua, beterraba crua, cereais integrais, aveia em flocos, mamão, laranja;
  • 1 a 2 litros de água por dia;
  • Submeter a cocção: repolho, couve-de-bruxelas, couve, nabo, mandioca, brócolis, couve-flor, soja, amendoim (contêm substâncias bociogênicas que bloqueiam a captação de iodo pela glândula tireóide);
Para adequada função da tireóide:
  • Alimentos ricos em zinco: agrião, pasta de gergelim, carne bovina magra, salsinha;
  • Alimentos ricos em cobre: nozes, castanha, fígado, crustáceos, uva passa e abóbora;
    Sal iodado, peixes e frutos do mar (fontes de iodo);
  • Azeite de oliva extravirgem (eleva HDL-c e reduz LDL-c);
  • Alimentos ricos em ferro: feijão, grão de bico, lentilha, ervilha, carne bovina magra (patinho, coxão mole/duro, músculo, alcatra).
Evitar:
  • Gordura saturada: óleo e leite de coco, manteiga, leite integral, queijos amarelos, bacon, toucinho, carne bovina gorda (acém, contrafilé);
  • Gordura trans: margarina com 80% de lipídios, biscoitos recheados, bolos industrializados, congelados industrializados, folheados;
  • Sal (cloreto de sódio) e alimentos ricos em sódio: enlatados, embutidos, azeitona, caldo de carne em cubos, carne-seca, leite em pó.

Diferença entre hipotireoidismo e hipertireoidismo

Tanto o hipotireoidismo como o hipertireoidismo estão relacionados com os níveis hormonais do seu corpo, pode ser difícil dizer se você está sofrendo de um ou do outro. Se você perceber algum dos sintomas citados abaixo, fale com seu médico. Uma simples análise de sangue é capaz de determinar se você é hipotireóide, hipertireóide ou, talvez, nenhum dos dois.

Sintomas do hipotireoidismo:
  • Depressão
  • Esquecimento
  • Pele e cabelos secos
  • Rosto e olhos inchados
  • Intolerância ao frio
  • Ganho de peso
  • Constipação
  • Menstruação pesada
  • Falta de concentração
  • Cansaço
  • Transpiração reduzida
  • Dor nas articulações
Sintomas do hipertireoidismo:
  • Batimento cardíaco acelerado ou irregular
  • Nervosismo
  • Dificuldade em adormecer
  • Aumento da transpiração
  • Intolerância ao calor
  • Mãos trêmulas
  • Perda de peso
  • Fadiga
  • Menstruação leve ou falta de menstruação
  • Ansiedade
  • Dor nas articulações
Como cada corpo humano é diferente dos outros, em cada pessoa o nível de gravidade destes sintomas pode ser diferente. Se você tem estes sintomas, isso em si já é motivo suficiente para procurar orientação médica. É importante ver o que pode ser feito a respeito destes sintomas, para você se sentir melhor.
Como, além disso, os hormônios podem ser afetados por fatores externos, convém que você faça as seguintes perguntas:
  • Passei por alguma tensão ultimamente?
  • Andei me alimentando adequadamente, com uma dieta saudável e balanceada?
  • Fiquei mais ocupado do que habitualmente?
É importante pensar nestes aspectos antes de consultar o seu médico, porque com isso você poderá dar a ele uma idéia melhor de como avaliar seu quadro clínico.

Hipotireoidismo durante gravidez

Hipotireoidismo não tratado durante a gravidez pode aumentar a incidência de hipertensão materna, pré-eclampsia, anemia, hemorragia pós-parto, disfunção cardíaca ventricular, aborto espontâneo, morte fetal ou ao nascimento, baixo peso ao nascer e, possivelmente, desenvolvimento cerebral anormal.
O hipotireoidismo materno, mesmo leve ou assintomático, quando não tratado durante a gravidez, pode ter efeitos adversos no desenvolvimento neuropsíquico da criança.
Quando uma mulher com hipotireoidismo ou com tireoidite crônica engravida, a função tireoidiana pode mudar. De modo geral, a dosagem dos hormônios tireoidianos deve ser aumentada em pacientes com moderado a grave hipotireoidismo. Deve-se medir o TSH sérico desses pacientes a cada 6 semanas durante a gravidez.

Tratamento do hipotireoidismo no recém-nascido

No recém-nascido, o hipotireoidismo constitui emergência pediátrica. Embora seja necessária exploração laboratorial mais apurada para o diagnóstico de certos defeitos, esta deve ser colocada em segundo plano, em favor da medicação. O objetivo é fornecer à criança HT para suas necessidades metabólicas atendendo em especial à integridade de seu crescimento e desenvolvimento.
Admite-se que crianças tratadas adequadamente nos três primeiros meses de vida terão 50% de chance de alcançar Ql normal.

Sintomas do hipotireoidismo

A insuficiência da tireóide provoca uma decadência geral das funções do organismo. Em acentuado contraste com o hipertireoidismo, os sintomas do hipotireoidismo são subtis e graduais e podem ser confundidos com uma depressão. As expressões faciais são toscas, a voz é rouca e a dicção lenta; as pálpebras estão caídas, os olhos e a cara tornam-se inchados e salientes. Muitos doentes com hipotireoidismo aumentam de peso, têm prisão de ventre e são incapazes de tolerar o frio. O cabelo torna-se ralo, áspero e seco, e a pele torna-se áspera, grossa, seca e escamosa. Em muitos casos desenvolve-se a síndroma do canal cárpico, que provoca formigueiro ou dor nas mãos. O pulso torna-se mais lento, as palmas das mãos e as plantas dos pés aparecem um pouco alaranjadas (carotenemia) e a parte lateral das sobrancelhas solta-se lentamente. Algumas pessoas, sobretudo os adultos, ficam esquecidas e parecem confusas ou dementes, sinais que facilmente se podem confundir com a doença de Alzheimer ou outras formas de demência.

Objectivos do tratamento do hipotireoidismo

Os objectivos do tratamento do hipotireoidismo são:
  • Repor a produção hormonal tireoidiana,
  • Evitar a tireotoxicose iatrogênica,
  • Tratar as complicações sistêmicas do hipotireoidismo grave.